O que não fazer?

0
350
Miguel Haddad
Deputado Miguel Haddad

Em recente debate promovido pelo jornal Folha de São Paulo, o economista e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca chamou a atenção para um dado que define o tamanho do desafio que o Brasil precisa enfrentar. Segundo ele, “em 70 anos só 12 países conseguiram ingressar no grupo dos desenvolvidos e todos aumentaram a sua participação no mercado internacional”.

Nosso País, há pouco mais de uma década, foi saudado como um dos mais promissores países emergentes, ou seja, capaz de se tornar uma nação avançada. Havíamos, nesse processo, conseguido sair de uma hiperinflação crônica e, como consequência do desenvolvimento mundial, notadamente da China, conseguimos também, com a venda em maior volume e por melhores preços dos nossos produtos de exportação – principalmente da agroindústria –, acumular reservas cambiais que chegam, neste ano de 2018, a US$ 382 bilhões de dólares, conforme dados do Banco Central.

No entanto, ao invés de aproveitar esse momento e seguir o caminho dos demais países que conseguiram superar o subdesenvolvimento, ou seja – como mostrou Giannetti da Fonseca – abrindo a economia e participando competitivamente do mercado internacional, o que vimos foi a continuação – na verdade a ampliação – do estatismo. Os recursos, em vez de serem utilizados na infraestrutura, na educação e no saneamento básico, foram utilizados largamente no financiamento dos chamados campeões nacionais. Ou seja, empresas escolhidas que receberam financiamentos subsidiados estratosféricos – que deram em nada –, em empréstimos feitos, sem salvaguardas por não pagamento, a países alinhados ideologicamente com o partido no poder, e, ainda, no aparelhamento – e consequente inchaço – da máquina estatal.

Nossos pesados impostos, em vez de terem sido utilizados para fazer o País e a economia avançar de forma competitiva, ampliaram o nosso atoleiro.

Com as eleições presidenciais batendo à porta, é preciso aprender essa lição e deixar claro que não é por aí. É por onde, então? Em primeiro lugar, ter claro que não há varinha mágica ou salvador da pátria. Para isso, temos de deter o gigantismo do Estado, que consome, sem nada produzir, pela via dos impostos, os minguados recursos do povo brasileiro. Acabar com os privilégios corporativos, tanto do Estado como de instituições e entidades que vivem a custa de subsídios. Abrir a economia, fazendo com que as empresas brasileiras fiquem sujeitas à competição, principalmente em setores monopolizados, utilizando os recursos dos impostos com o olho no amanhã, investindo em saneamento básico, educação pública de alta qualidade e infraestrutura.

Isso é possível? Com a palavra, o eleitor.

Artigo anteriorPrévia de Escolha do candidato a Governador
Próximo artigoÉ ano novo no PSDB
Miguel Haddad é deputado federal pelo Estado de São Paulo e vice-presidente do PSDB estadual. Prefeito de Jundiaí por três vezes, já foi vereador, vice-prefeito, deputado estadual, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e presidente do Aglomerado Urbano de Jundiaí, que reúne, além da cidade sede, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Jarinu, Cabreúva, Itupeva e Louveira. Em sua última administração Jundiaí conquistou reconhecimento nacional, sendo considerada a melhor cidade do País em gestão pública (revista Exame, 2013). Miguel é advogado, escritor e articulista, tendo artigos publicados em jornais como O Estado de S. Paulo, Jornal de Jundiaí e Bom Dia Jundiaí. Em 2014 publicou o livro “Coisa de paulista – no interior um país que dá certo”, uma das obras mais vendidas dentre os livros de não-ficção, na semana do lançamento. A obra encontra-se atualmente no prelo para tiragem de uma segunda edição. Em sua última administração Jundiaí conquistou reconhecimento nacional, sendo considerada a melhor cidade do País em gestão pública (revista Exame, 2013).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.